PPPP-P PRINCÍPIO DE PIRES OU DAS PRIORIDADES EM PIRÂMIDE APLICADO À PERSONALIDADE, CULTURA E POLÍTICA
Em cada momento da vida a nossa liberdade é em parte condicionada, somos em parte responsáveis pelos condicionamentos, mas somos em grande parte responsáveis pela liberdade futura. Podemos optar em parte pela atitude mental e emocional frente ao que não podemos modificar e condicionar a nossa liberdade. Em cada momento estamos a ser condicionados pelo passado e a condicionar o futuro. Da forma como ocupamos o nosso tempo, a nossa mente e as nossas emoções depende em grande parte a nossa personalidade futura. A nossa personalidade é talvez o nosso valor mais importante da vida.
Cada cultura tem “valores” morais ou imorais típicos mais ou menos relacionados com a sobrevivência do grupo: o valor mais importante da cultura mafiosa é a “omertà”, cuja tradução à letra quer dizer “ser homem” mas que no essencial significa não denunciar à polícia ou à justiça os crimes dos companheiros mafiosos. Sem este valor prioritário ninguém sobe na hierarquia da mafia.
Na cultura cristã o valor máximo é o amor ao próximo e a expressão mais popular dos últimos temos foi Madre Teresa de Calcutá que dedicou a sua vida a socorrer os pobres.
O dinheiro e a riqueza constituem um dos elementos prioritários da maioria das pessoas porque lhe permite a satisfação de outras necessidades e a liberdade de escolher como ocupar o seu tempo. Muitas vezes o dinheiro é uma forma de medir a utilidade social de uma actividade: num mercado livre em perfeita concorrência ganha mais quem produz mais benefícios sociais com meios mais económicos. Ganhar mais significa muitas vezes ter a melhor ideia e os meios melhores de satisfazer as necessidades sociais de quem pode pagar. Isto contribui para o estímulo da eficiência e criatividade. Mas corre o risco de excluir os mais pobres e menos capazes. Gastam-se fortunas para um milionário poder satisfazer os seus caprichos de voar a 4.000 km/h e ver a Terra do espaço longínquo mas deixam-se morrer à fome milhares de pessoas todos os dias.
Para uma cultura capitalista consumística pode ser justo que quem ganha o dinheiro “honestamente” e segundo as leis do mercado o use como quer. As viagens espaciais podem ser um meio de estimular o progresso científico. Mas se esse progresso científico fosse orientado para outros campos, para uma outra cultura, ética e justiça talvez alguns não vissem a Terra do espaço mas muitos poderiam viver com o indispensável.
Por outro lado recordo uma opinião de quando o primeiro homem foi à Lua: “o dinheiro para se ir à Lua gasta-se na Terra e dá frutos para a Terra”. De facto a ida à Lua foi um estímulo para muitas invenções que serviram na Terra. Sem essa ida à Lua tanto se poderiam inventar outras coisas como deixar mais sem emprego. No sistema capitalista é o mercado e os que se mostraram mais eficientes que decide as prioridades e no sistema comunista são as elites ditas representantes do povo. Os resultados desses dois sistemas encontram-se no confronto entre USA e ex-URSS.
A escolha das prioridades começa em cada um de nós desde que nascemos e transmite-se pela cultura, espectáculos e informação aos grupos de pertença, povos e organizações internacionais. Os melhores políticos são por um lado os melhores representantes dos povos que os votaram e por outro os melhores patrocinadores das melhores políticas. Para que seja dado poder aos melhores políticos as eleições devem ser mais livres, com melhor informação, com mais razão e menos condicionalismos psico-emocionais.