abril 20, 2004

BILL GATES, MICROSOFT, ALTERNATIVAS, DIREITOS DE AUTOR, COPYRIGHTS, JUSTIÇA, CAPITALISMO, COMUNISMO E ANARQUISMO

Bill Gates é o capitalista que faz mais beneficência, que investe mais na inovação tecnológica, do qual recebi muito mais benefícios com menos custos...

Com um amigo que não gosta de Bill Gates, usa alternativas a Microsoft, perito em informática, ( PI ), tive esta conversa:
Pires Portugal: - Eu simpatizo muito com Bill Gates primeiro porque é o capitalista que faz mais beneficência, que investe mais na inovação tecnológica, do qual recebi muito mais benefícios do que paguei...
PI: - Faz beneficência porque tem muito, talvez para não pagar impostos ou talvez porque é uma forma de fazer publicidade e ser bem visto pela opinião pública, e de vender os seus produtos. Dá computadores para crianças pobres do Brasil de Angola e Moçambique para que continuem a comprar os seus produtos e ao longo da vida acabem por dar-lhe mais do que receberam. O investimento que faz dá-lhe lucro e destrui a concorrência. Os benefícios que recebes dele a pagamento poderias recebê-los gratuitamente de outros.
Pires Portugal: - Não acredito que o trabalho gratuito dê os mesmos resultados do trabalho bem pago. Se ele investe 7.000.000.000 US$ em inovação tecnológica para pagar a bons profissionais parece-me evidente que contribui mais para melhorar a tecnologia do que os voluntários de todo o mundo sem organização. A experiência mostrou-me muitas vezes que o barato sai mais caro e o gratuito acaba muitas vezes por dar mais danos do que benefícios. Se em vez de um programa Microsoft usado por 90% do globo existissem milhares de programas incompatíveis uns com os outros acabariam por roubar tempo a biliões de pessoas muito mais importante do que a fortuna de Gates. Quando comecei a usar computadores perdi dias de trabalho e paguei somas enormes porque os textos num programa não podiam ser usados por outros.
PI: - Também eu tive esse mesmo problema. Mas Bill Gates destruiu concorrentes que poderiam fazer melhor. Outros programas concorrentes faziam o mesmo efeito.
Pires Portugal: - No capitalismo em geral progridem os melhores e os piores vão à falência. Penso que o facto de falirem alguns concorrentes contribuiu para um standard positivo a nível global.
PI: - Os monopólios permitem lucros astronómicos e preços mais altos. Eu uso alternativas aos produtos de Bill Gates para os quais não pago nada.
Pires Portugal: - Em geral sou contra monopólios. Mas neste caso penso que até ao momento este monopólio deu mais benefícios à humanidade do que danos: os benefícios de um standard global prático e funcional para os que não são peritos de informática pode economizar tempo muito mais valioso do que se paga de direitos de autor. Tu podes permitir-te alternativas porque és um perito em informática e sabes resolver os problemas. Mas se eu preciso de chamar um técnico e pagar-lhe €20 à hora por cada problema prefiro comprar um computador intuitiva e fácil mesmo que pague €100 para Bill Gates e seus cientistas do que perder dezenas de horas com técnicos ou livros para aprender como funcionam.
PI: - É verdade que Microsoft é mais fácil para quem não conhece muito. Mas o facto de não revelar os códigos impede a investigação de outros.
Pires Portugal: - Talvez aí se deva conjugar os direitos de autor com os benefícios globais. Por um lado, na medida em que os melhores da investigação forem premiados contribuímos para a melhor evolução científica. Por outro lado, uma política de grande defesa dos direitos de autor, impede que as inovações cheguem a todos. Os capitalistas defendem mais os direitos de autor porque favorece a investigação, os comunistas menos e os anarquistas são totalmente contrários. Isto corresponde a diferentes conceitos de justiça e prioridades: para o capitalismo é justo dar a cada um segundo os méritos e quem produz melhor deve ganhar mais. Assim se estimula a eficiência dos melhores. Para o comunismo a igualdade é mais justa do que a diferença segundo os méritos. Havendo menos estímulo dos melhores há menos progresso. Um anarquismo como o tradicional que faz a apologia da igualdade e liberdade sem poderes nem hierarquias acaba por conduzir à menor eficiência e continua luta porque cada um pensa que tem razão e não admite a razão dos outros. Esta teoria encontrou exemplos práticos na História: o sistema capitalista americano resultou mais eficiente, o comunismo soviético e chinês caiu dando lugar ao capitalismo e o anarquismo originou desordem e lutas civis que prepararam o clima da aceitação de ditaduras como menos mau do que a insegurança e falta de eficiência. Hoje temos um anarquismo de bombistas que querem destruir o capitalismo, como os das bombas de Génova ou novas brigadas vermelhas de atiradores aos intelectuais que pensam de forma diferente, alguns estúpidos ou ignorantes que os consideram heróis, outro dos falidos do capitalismo que se juntam às elites terroristas islâmicas contra USA,, multinacionais e direitos de autores... Não sabem que essa filosofia pode levar os resultados da ciência e arte actuais a mais mas corta as bases das investigações e progresso que quase sempre acaba por trazer vantagens para a maioria.
A política e a justiça devem procurar conciliar estes interesses de forma a contribuírem para um mundo melhor e mais vantagens para mais. Para isso as energias das lutas devem orientar-se para aproveitar o melhor de cada sistema: eficiência com prémio aos melhores, mais justiça e sensibilidade às necessidades dos mais desfavorecidos e uma certa anarquia em relação às leis e poderes estabelecidos com a prioridade ao que é justo e socialmente útil no momento. Por outras palavras, a justiça não deve depender tanto dos melhores advogados mas sim dos melhores juizes, dos que melhor derem provas de saber conciliar justiça, leis, ética e interesse global. Em vez de serem influenciados por advogados a pressionar com leis que ontem eram oportunas e hoje não, devem saber escutar as vozes dos mais inteligentes, por vezes dos mais populares, mas nem sempre. Numa sociedade em que existam 99% a usufruir os resultados da investigação de 1% é lógico que se vote a abolição dos direitos de autores. De imediato os 99% beneficiam da melhor distribuição do que existe. Mas se esse 1% deixar de ser pago é evidente que não produzirá da mesma forma e a longo prazo pode prejudicar, ou faltar com benefícios para os 99%..
Em Itália calcula-se que 30% do trabalho é intelectual e criativo que não está confinado horário de trabalho mas se confunde com o tempo livre, familiar e férias. O resultado do trabalho criativo depende muito menos do tempo de trabalho do que da formação, tempo livre, mesmo ócio, mas sobretudo do estímulo. A maioria das pessoas vai ao cinema para se divertir. Um artista pode ir para se divertir e para receber fontes de inspiração. Os êxitos de grandes artistas quase sempre resultam de uma forte paixão pela actividade artística em que o prazer e trabalho se confundem.
Penso que o futuro da anarquia estará em dar menor valor às leis, hierarquias e poderes sem os anular. A justiça, ética e consideração do presente e futuro deve sobrepor-se às leis, hierarquias e poderes. Por outras palavras, o julgamento da Microsoft deve ter em especial consideração os benefícios actuais e futuros para a Humanidade. Os direitos de autores, patentes, copyright e todas as formas de protecção da criatividade devem conciliar o estímulo da criatividade e trabalho intelectual com a sua utilidade de forma justa e ética. Com base na minha experiência e conhecimentos faço uma proposta na esperança que se juntem outras e contribuam para melhorar o mundo: Tudo o que é colocada na Internet está à disposição de todos para ser aproveitado e desenvolvido por outros para fins sociais ou humanitários não lucrativos. Será honesto, ético e justo citar a fonte. Quando uma ideia ou uma criação artística e intelectual é usada para fins lucrativos, pode ser tolerado o uso e aproveitamento em certos casos de grande melhoramento com pouca influência do contributo anterior e pouco rendimento comercial. Mas se tem importância e dá grandes lucros seria justo que o beneficiário desse uma percentagem dos benefícios. Isso deveria surgir de própria iniciativa. Caso o autor da ideia original poderia recordar os seus direitos de autor e pedir um contributo negociável entre ambos. Não chegando a um acordo recorreriam a um “e-trib”, (1), abreviatura internacional de tribunal electrónico internacional sem fronteiras sob dependência da ONU que mediante um custo das despesas estabeleceria justiça, baseando-se no testemunho e provas apresentadas. Se uma das partes não aceitasse esse julgamento de um único juiz, (mesmo principiante), poderia repetir-se o julgamento com o mesmo juiz mas com a dedicação de mais tempo e certa investigação. Julgamentos sucessivos com um juiz mais experiente ou equipes de juizes resolveriam os casos mais complexos que passariam de certa maneira a constituir legislação ou pressuposto genérico para outros julgamentos..
Para trabalhos mais importantes pode haver registos internacionais de patentes e trabalho artístico, criativo e intelectual. Mas o simples tornar uma obra ou ideia pública através da Internet deveria servir de registo ou prova do direito de autor até dúvida ou prova em contrário.


(1) Proponho uma linguagem global para Internet, com base no Inglês por ser o mais usado, mas aberto a novos termos de preferência na língua de origem ou que mais se aproximar das línguas mais faladas, ou pareça mais fácil. Os termos de novas actividades com base na Internet poderão ser precedidos de e- seguidos da abreviatura que melhor corresponda às iniciais na maioria das línguas. Por exemplo e-lag para linguagem global na Internet, e-trib para tribunais internacionais da Internet, ...
Mais: http://members.xoom.it/jiimm/wl.htm .

Publicado por PIRES PORTUGAL em 08:11 AM | Comentários (0)

abril 14, 2004

PAZ, MÁRIO SOARES, POLÍTICA, POPULISMO E HEROÍSMO

Mário Soares foi dos políticos populares que mais se opuseram à guerra no Kosovo e no Iraque. Mário Soares foi considerado o principal herói vivente de Portugal no final do século passado.
Se Mário Soares não fosse inteligente e não tivesse uma percepção especial da vontade popular do momento nunca chegaria a grande político. Se não tivesse uma percepção do que é popular em cada momento não continuaria a ser uma personalidade popular.

Não é verdade que as guerras nunca foram populares como não é verdade que as guerras são populares. Penso que com a melhor informação, numa sociedade mais civil, as guerras são populares na medida em que são justas. Talvez Hitler inicialmente tenha conseguido ser popular com apelo à guerra porque a Alemanha tinha sido injustamente tratada no tratado de Versalhes. Talvez Mário Soares tenha sido popular em Portugal com o retiro das tropas de Angola e Moçambique porque era uma guerra colonial injusta. Talvez a guerra do Kosovo tenha sido popular para a maioria dos povos de cultura ocidental porque um ditador estava eliminando opositores indiscriminadamente. A maior excepção parece-me que foi Mário Soares. Na verdade no Kosovo e ex-Jugoslavia já tinham morrido centenas de milhares e com uma guerra de dez mil pessoas meteu-se o ditador na cadeia e passaram a morrer muito menos. Recentemente surgiu mais um tumulto com uns 30 mortos e imagino que Mário Soares como outros que se opuseram à guerra aproveitarão para dizer que tinham razão e que os mortos continuam. A verdade é que antes morreram centenas de milhares e nunca saberemos se sem essa guerra se evitavam os dez mil que morreram ou se continuavam a morrer mais centenas de milhares.
O exemplo de guerra mais popular dos últimos tempos foi a dos USA contra Afeganistão: antes de começar a guerra as estatísticas davam 94% a favor de uma guerra imediata, 4% a opor-se e 2% indecisos. Os USA tinham dado 43 milhões de dólares em ajudas humanitárias e receberam um ataque terrorista com 3.000 mortos civis. Aquilo que para a grande maioria dos americanos parecia uma guerra justa para muitos “ocidentais” não.
A guerra mais impopular do ponto de vista da maioria dos “ocidentais” foi a do Vietname. Mas em certo sentido não foi a mais heróica da cultura ocidental? Não foi uma potência capitalista a defender uma minoria das duas maiores potências comunistas daquele tempo? USA perderam aquela batalha mas talvez tenham mostrado à URSS e China que não podiam alastrar sem a oposição dos USA. Os 58.000 soldados americanos que morreram não deviam ser considerados heróis daquele ocidente que graças aos USA não sofreu os danos da influência comunista no estilo URSS ou China?
A guerra mais duvidosa dos últimos tempos foi a do Iraque. Parece-me que é das primeiras grandes guerras preventivas do terrorismo. Numa das regiões mais ricas de petróleo do mundo convivia a maior miséria com a maior ostentação de luxo do mundo. Para uns é justa porque o petróleo estava alimentar terrorismo internacional e deve ser canalizado para o mercado internacional com benefício dos povos e das empresas mais eficientes na produção de benefícios sociais. Para outros os americanos querem roubar o petróleo do Iraque para as suas empresas.
Não há dúvida que o petróleo do Iraque alimentava terrorismo e muito provavelmente alimentará quem luta contra o terrorismo. Para uns continuará a ser considerada uma guerra justa e para outros o terrorismo será considerado mais justo. No passado a História foi quase sempre escrita pelos vencedores. Hoje há duas Histórias e dois jornalismos: a dos vencidos e dos vencedores. Se os mais justos engrossarem as fileiras do jornalismo mais justo acabarão por influenciar as democracias no sentido de uma melhor justiça: se os povos devidamente informados escolherem a defesa dos objectivos mais justos, acabarão por influenciar as eleições e os políticos mais justos não só terão mais poder político como serão influenciados pela pressão social dos mais justos.
A justiça desta lógica é alterada por influências psicológicas, sociológicas, culturais e religiosas. Mas a pior influência é a deformação da informação.
Essa deformação da informação dá-se quando um marginal delinquente a lutar contra os melhores representantes das melhores democracias, apresentado com muitas fotos num banho de sangue de um tiro de um polícia influencia mais do que milhares de inocentes polícias que morreram a lutar por melhores democracias, como aconteceu com o tratamento do G8 no “fórum dos falidos” (http://members.xoom.it/jiimm/g8.htm ).
Essa deformação dá-se quando apresentam os números dos mortos causados pelos americanos a lutar contra o terrorismo e esquecem os de Saddam, Bin Laden e o terrorismo internacional.
Essa deformação dá-se quando transformam uma imagem de um morto influencia mais do que milhões de mortos dos quais não há fotografias.
Em Itália, só nos últimos tempos, encontrei em diversos meios de informação acusações contra Clinton por ser responsável da morte de 800.000 ou um milhão de civis no Ruanda em 1994. Perguntam se os americanos não têm vergonha de ter deixado morrer tanta gente que poderia ser evitada com a intervenção americana. Perguntam se só fazem guerras onde há petróleo... Pensei que os estúpidos e ignorantes anti-americnos primitivos tanto culpam USA pelos mortos das guerras que fizeram como das que deixaram por fazer.
Clinton opôs-se à intervenção influenciado pelas imagens de um único morto que correu o mundo: um americano morto numa intervenção na Somália para permitir a passagem de ajudas humanitárias foi arrastado pelas ruas com júbilo de certa população. Nos meios de informação americanos, (ou de qualquer democracia com forte oposição), qualquer imagem com forte carga emocional pode resultar de grande impacto se serve a uma das partes. Se não existir uma inteligente discussão nos meios de informação, pode acontecer que a emoção do momento causada por um simples facto casual tenha mais influência do que a inteligência lógica, razão e a justiça.
Não recordo nenhuma referência nos meios de informação internacionais às culpas americanas no genocídio destes 800.000 civis durante mais de 5 anos, quando isto aconteceu ou no período sucessivo. Porque razão só agora nos meios de informação italiana aparece tanta referência? Porque agora tudo é notícia se puder ser utilizado contra americanos? Ou porque apareceu um filme a dar culpa aos americanos?
O essencial do que quero dizer é mostrar como nas melhores democracias a informação pode condicionar políticos e suas decisões, guerras e terrorismo. Ouvi um terrorista das “Brigadas Vermelhas” dizer que raciocinavam em função do que diziam os jornais. Os jornais italianos que transformaram terroristas em heróis não são em grande parte responsáveis pelas vítimas do seu terrorismo? Numa Itália com mais empregados do que patrões era popular tudo o que fosse feito em nome dos empregados contra os patrões. Os empregados mais primitivos, com menos senso de justiça e menos inteligentes estão da parte dos empregados contra patrões independentemente de ser justo ou injusto. Um jornalismo inteligente procura as verdades mais importantes para a compreensão do importante. Um jornalismo populista responde às emoções do momento. Um político populista faz o que lhe dá votos. Um político herói guia o povo para os melhores ideais.
Quando Mário Soares entregou Angola e Moçambique aos comunistas tomou uma medida muito popular em Portugal naquele momento: o comunismo tinha-se oposto em primeira linha à ditadura de Salazar e era muito popular. Como o comunismo em Itália depois da queda do fascismo que chegou a ter 82% dos votos. O retiro imediato dos soldados de Angola e Moçambique era uma medida popular em Portugal. Para um político que queria fazer carreira em Portugal tomou uma política popular. Mas foi a melhor e mais justa? Foi a mais heróica? Os 3 milhões de mortos das guerras que se seguiram ao seu “pacifismo” não seriam reduzidos com menos pacifismo, permanência dos soldados até às eleições e entrega do poder a quem as vencesse? Que foi um bom político do ponto de vista dos soldados que regressaram e dos que não tiveram de ir não há dúvida. E talvez do ponto de vista da maioria da população de Portugal daquele momento, muito influenciada por certos grupos políticos da extrema esquerda chamados marxistas-leninistas que pintaram Lisboa com slogans de regresso imediato. Mas a verdade é que na sequência desse pacifismo morreram mais civis do que em todas as guerras americanas recentes. A verdade é que um ano depois as sondagens dão mais pessoas satisfeitas do que insatisfeitas. Não tenho estatísticas de Angola e Moçambique, mas das pessoas que conheceram o antes e depois todas foram unânimes em dizer que se vivia melhor antes. Foi herói Mário Soares com a sua popular descolonização e popular pacifismo? Ou serão mais heróis os americanos se contra o pacifismo popular melhorarem mais o Iraque?
Mais: http://members.xoom.it/jiimm

Publicado por PIRES PORTUGAL em 08:41 AM | Comentários (0)